terça-feira, 30 de novembro de 2010

Conselho de Bruxos Americanos


... Por causa dos vários ataques à Wicca até mesmo um Conselho, com os mais renomados Wiccanianos da época, foi criado para redigir os 13 princípios da Bruxaria, que foi publicado em forma de edital. O 11o. Princípio diz: "Como Bruxos Americanos, não nos sentimos ameaçados por debates a respeito da História da Arte, das origens de vários termos, da legitimidade de vários aspectos de diferentes Tradições. Somos preocupados com nosso presente e com nosso futuro”.

Junto com essa nova identidade que a Wicca começava à assumir, a Deusa como o centro de culto desta religião foi enfatizada cada vez mais. Ela passou a ser invocada nos ritos como "A Deusa dos dez mil nomes"(assim como Isis, que era todas as Deusas em uma) e a afirmação de que todas as Deusas são a mesma Deusa passou a ser definitivamente aceita entre os Wiccanianos e largamente utilizada. Isso nos mostra que a Wicca é uma religião que reconhece a Deusa como a Criadora e principal Divindade e que mesmo que alguns Wiccanianos se considerem politeístas (alguns se consideram monoteístas), nossa religião reverencia uma única Deusa manifesta sob diferentes formas, nomes e atributos.

Se a Wicca não puder ser considerada a Religião da Deusa, definitivamente não sei qual religião poderá ser!!!

Venho sentindo nos últimos tempos uma constante necessidade em diminuir e ridicularizar a Wicca. Outros ainda fazem apologia contra ela. Isso me deixa muito triste, pois se hoje é possível falar de outras "correntes" neo-pagãs, devemos isso aos esforços de muito Wiccanianos pelo mundo que divulgaram essa religião, fazendo com que ela fosse aceita socialmente; resgatando a dignidade da mulher não só na religião,mas também na sociedade; dando impulso às causas ambientais e ecológicas e possibilitando assim a exposição positiva de outros movimentos pagãos.

Acho que está na hora de pararmos de fazer os nossos discursos de isto x aquilo. Não é por que na minha casa eu coloco vinagre na geladeira e minha vizinha coloca no armário que o vinagre vai deixar de ser vinagre. Não é por que eu pratico a Wicca de uma determinada maneira e alguém de outra, que a minha Wicca vai ser melhor que a dela ou vice e versa.

Os debates sobre as diferenças entre as inúmeras vertentes da Wicca deveriam ser utilizadas para demonstrar os diferentes pontos de vista, a pluralidade e consequentemente a riqueza desta religião e não para criar uma briga inflamada de egos como acontece hoje na comunidade Pagã Brasileira. Quando eu conheci a Wicca, me ensinaram que ideais deveriam sempre estar acima de personalidades. Isto é algo que muitos praticantes do neo-paganismos não estão fazendo. O que nos une é muito maior do que o que nos separa. Wiccanianos, Druidas, Bruxos hereditários, iniciados tradicionalmente ou auto-iniciados todos somos filhos da Deusa e a Ela um dia voltaremos!

Diferenças quanto ao que ocorre no interior de nossas diferentes Tradições são meramente diferenças estruturais de cada subgrupo, de cada ramificação da Arte. Elas deveriam ser utilizada para o crescimento pessoal, para troca de informações e crescimento de cada praticante da Arte e não para criar brigas e separatismo sem sentido dentro de um movimento religioso. No dia em que reaprendermos o dom de vivermos em comunidade, cada um respeitando o espaço, a liberdade, a opinião do outro, sem que para isso crie-se animosidade e a tentativa de ridicularizar e diminuir os esforços alheios, estaremos caminhando novamente para o verdadeiro e autêntico caminho da Deusa.

É em tal espírito de acolhimento e cooperação que nós adotamos estes poucos princípios de crença Wiccaniana. Buscando ser inclusivos, não desejamos abrir-nos à destruição de nosso grupo por aqueles que buscam para si o poder, ou a filosofias e práticas contraditórias a tais princípios. Buscando excluir aqueles cujos caminhos sejam contraditórios ao nosso, não desejamos negar participação a qualquer pessoa que esteja sinceramente interessada em nossos conhecimento e crenças, a despeito de raça, cor, sexo, idade, origem cultural ou nacional, ou preferência sexual. Nós, portanto, pedimos a aqueles que buscam identificar-se conosco que aceitem esses poucos princípios básicos:

1. Nós praticamos ritos para nos alinharmos ao ritmo natural das forças vitais, marcadas pelas fases da Lua e aos feriados sazonais.

2. Nós reconhecemos que nossa inteligência nos dá uma responsabilidade única em relação a nosso meio ambiente. Buscamos viver em harmonia com a Natureza, em equilíbrio ecológico, oferecendo completa satisfação à vida e à consciência, dentro de um conceito evolucionário.

3. Nós damos crédito a uma profundidade de poder muito maior que é aparente a uma pessoa normal. Por ser tão maior que ordinário, é às vezes chamado de "sobrenatural", mas nós o vemos como algo naturalmente potencial a todos.

4. Nós vemos o Poder Criativo do Universo como algo que se manifesta através da Polaridade - como masculino e feminino - e que ao mesmo tempo vive dentro de todos nós, funcionando através da interação das mesmas polaridades masculina e feminina. Não valorizamos um acima do outro, sabendo serem complementares. Valorizamos a sexualidade como prazer, como o símbolo e incorporação da Vida, e como uma das fontes de energias usadas em práticas mágicas e ritos religiosos.

5. Nós reconhecemos ambos os mundos exterior e interior, ou mundos psicológicos - às vezes conhecidos como Mundo dos Espíritos, Inconsciente Coletivo, Planos Interiores, etc. - e vemos na interação de tais dimensões a base de fenômenos paranormais e exercício mágico. Não negligenciamos qualquer das dimensões, vendo ambas como necessárias para nossa realização.

6. Nós não reconhecemos nenhuma hierarquia autoritária, mas honramos aqueles que ensinam, respeitamos os que dividem de maior conhecimento e sabedoria, e admiramos os que corajosamente deram de si em liderança.

7. Nós vemos religião, mágica, e sabedoria como sendo unidas na maneira em que se vê o mundo e vive nele - uma Visão de mundo e filosofia de vida, que identificamos como Bruxaria ou o Caminho Wiccaniano.

8. Chamar-se "Bruxo" não faz um Bruxo - assim como a hereditariedade, ou a coleção de títulos, graus e iniciações. Um Bruxo busca controlar as forças interiores, que tornam a vida possível, de modo a viver sabiamente e bem, sem danos a outros e em harmonia com a Natureza.

9. Nós reconhecemos que é a afirmação e satisfação da vida, em uma continuação de evolução e desenvolvimento da consciência, que dá significado ao Universo que conhecemos, e a nosso papel pessoal dentro do mesmo.

10. Nossa única animosidade acerca da Cristandade, ou de qualquer outra religião ou filosofia, dá-se pelo fato de suas instituições terem clamado ser "o único verdadeiro e correto caminho", e lutado para negar liberdade a outros, e reprimido diferentes modos de prática religiosa e crenças.

11. Como Bruxos Americanos, não nos sentimos ameaçados por debates a respeito da História da Arte, das origens de vários termos, da legitimidade de vários aspectos de diferentes tradições. Somos preocupados com nosso presente e com nosso futuro.

12. Nós não aceitamos o conceito de "mal absoluto", nem adoramos qualquer entidade conhecida como "Satã" ou "o Demônio" como defendido pela Tradição Cristã. Não buscamospoder através do sofrimento de outros, nem aceitamos o conceito de que benefícios pessoais só possam ser alcançados através da negação de outros.

13. Trabalhamos dentro da Natureza para aquilo que é positivo para nossa saúde e bem estar.

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