terça-feira, 30 de novembro de 2010

Wiccan Rede

Ouça agora a palavra das Bruxas, os segredos que na noite escondemos,
Quando a obscuridade era caminho e destino, e que agora à luz nós trazemos.
Conhecendo a essência profunda, dos mistérios da Água, do Fogo,
do Ar e da Terra e que circunda,
Manteve silêncio o nosso povo.
O eterno renascimento da Natureza, a passagem do Inverno e da Primavera,
Compartilhamos com o Universo da vida, que num Círculo Mágico se alegra.
Quatro vezes por ano somos vistas, no retorno dos grandes Sabbats,
No antigo Halloween e em Beltane, ou dançando em Imbolc e Lammas.
Dia e noite em tempo iguais vão estar, ou o Sol bem mais perto ou longe de nós,
Quando mais uma vez Bruxas a festejar,
Ostara, Mabon, Litha ou Yule saudar.
Treze Luas de prata cada ano tem, e treze são os Covens também
Treze vezes dançar nos Esbaths com alegria, para saudar a cada precioso ano e dia.
De um século à outro persiste o poder, Que através das eras tem sido levado,
Transmitido sempre entre homem e mulher, desde o princípio de todo o passado.
Quando o círculo mágico for desenhado, do poder conferido a algum instrumento,
Seu compasso será a união entre os mundos, na terra das sombras daquele momento.
O mundo comum não deve saber, e o mundo do além também não dirá,
Que o maior dos Deuses se faz conhecer, e a grande Magia ali se realizará.
Na Natureza, são dois os poderes, com formas e forças sagradas,
Nesse templo, são dos os pilares, que protegem e guardam a entrada.
E fazer o que queres será o desafio, como amar a um amor que a ninguém vá magoar,
essa única regra seguimos à fio, para a Magia dos antigos se manifestar.
Oito palavras o credo das Bruxas enseja:
sem prejudicar a ninguém, faça o que você deseja!

Conselho de Bruxos Americanos


... Por causa dos vários ataques à Wicca até mesmo um Conselho, com os mais renomados Wiccanianos da época, foi criado para redigir os 13 princípios da Bruxaria, que foi publicado em forma de edital. O 11o. Princípio diz: "Como Bruxos Americanos, não nos sentimos ameaçados por debates a respeito da História da Arte, das origens de vários termos, da legitimidade de vários aspectos de diferentes Tradições. Somos preocupados com nosso presente e com nosso futuro”.

Junto com essa nova identidade que a Wicca começava à assumir, a Deusa como o centro de culto desta religião foi enfatizada cada vez mais. Ela passou a ser invocada nos ritos como "A Deusa dos dez mil nomes"(assim como Isis, que era todas as Deusas em uma) e a afirmação de que todas as Deusas são a mesma Deusa passou a ser definitivamente aceita entre os Wiccanianos e largamente utilizada. Isso nos mostra que a Wicca é uma religião que reconhece a Deusa como a Criadora e principal Divindade e que mesmo que alguns Wiccanianos se considerem politeístas (alguns se consideram monoteístas), nossa religião reverencia uma única Deusa manifesta sob diferentes formas, nomes e atributos.

Se a Wicca não puder ser considerada a Religião da Deusa, definitivamente não sei qual religião poderá ser!!!

Venho sentindo nos últimos tempos uma constante necessidade em diminuir e ridicularizar a Wicca. Outros ainda fazem apologia contra ela. Isso me deixa muito triste, pois se hoje é possível falar de outras "correntes" neo-pagãs, devemos isso aos esforços de muito Wiccanianos pelo mundo que divulgaram essa religião, fazendo com que ela fosse aceita socialmente; resgatando a dignidade da mulher não só na religião,mas também na sociedade; dando impulso às causas ambientais e ecológicas e possibilitando assim a exposição positiva de outros movimentos pagãos.

Acho que está na hora de pararmos de fazer os nossos discursos de isto x aquilo. Não é por que na minha casa eu coloco vinagre na geladeira e minha vizinha coloca no armário que o vinagre vai deixar de ser vinagre. Não é por que eu pratico a Wicca de uma determinada maneira e alguém de outra, que a minha Wicca vai ser melhor que a dela ou vice e versa.

Os debates sobre as diferenças entre as inúmeras vertentes da Wicca deveriam ser utilizadas para demonstrar os diferentes pontos de vista, a pluralidade e consequentemente a riqueza desta religião e não para criar uma briga inflamada de egos como acontece hoje na comunidade Pagã Brasileira. Quando eu conheci a Wicca, me ensinaram que ideais deveriam sempre estar acima de personalidades. Isto é algo que muitos praticantes do neo-paganismos não estão fazendo. O que nos une é muito maior do que o que nos separa. Wiccanianos, Druidas, Bruxos hereditários, iniciados tradicionalmente ou auto-iniciados todos somos filhos da Deusa e a Ela um dia voltaremos!

Diferenças quanto ao que ocorre no interior de nossas diferentes Tradições são meramente diferenças estruturais de cada subgrupo, de cada ramificação da Arte. Elas deveriam ser utilizada para o crescimento pessoal, para troca de informações e crescimento de cada praticante da Arte e não para criar brigas e separatismo sem sentido dentro de um movimento religioso. No dia em que reaprendermos o dom de vivermos em comunidade, cada um respeitando o espaço, a liberdade, a opinião do outro, sem que para isso crie-se animosidade e a tentativa de ridicularizar e diminuir os esforços alheios, estaremos caminhando novamente para o verdadeiro e autêntico caminho da Deusa.

É em tal espírito de acolhimento e cooperação que nós adotamos estes poucos princípios de crença Wiccaniana. Buscando ser inclusivos, não desejamos abrir-nos à destruição de nosso grupo por aqueles que buscam para si o poder, ou a filosofias e práticas contraditórias a tais princípios. Buscando excluir aqueles cujos caminhos sejam contraditórios ao nosso, não desejamos negar participação a qualquer pessoa que esteja sinceramente interessada em nossos conhecimento e crenças, a despeito de raça, cor, sexo, idade, origem cultural ou nacional, ou preferência sexual. Nós, portanto, pedimos a aqueles que buscam identificar-se conosco que aceitem esses poucos princípios básicos:

1. Nós praticamos ritos para nos alinharmos ao ritmo natural das forças vitais, marcadas pelas fases da Lua e aos feriados sazonais.

2. Nós reconhecemos que nossa inteligência nos dá uma responsabilidade única em relação a nosso meio ambiente. Buscamos viver em harmonia com a Natureza, em equilíbrio ecológico, oferecendo completa satisfação à vida e à consciência, dentro de um conceito evolucionário.

3. Nós damos crédito a uma profundidade de poder muito maior que é aparente a uma pessoa normal. Por ser tão maior que ordinário, é às vezes chamado de "sobrenatural", mas nós o vemos como algo naturalmente potencial a todos.

4. Nós vemos o Poder Criativo do Universo como algo que se manifesta através da Polaridade - como masculino e feminino - e que ao mesmo tempo vive dentro de todos nós, funcionando através da interação das mesmas polaridades masculina e feminina. Não valorizamos um acima do outro, sabendo serem complementares. Valorizamos a sexualidade como prazer, como o símbolo e incorporação da Vida, e como uma das fontes de energias usadas em práticas mágicas e ritos religiosos.

5. Nós reconhecemos ambos os mundos exterior e interior, ou mundos psicológicos - às vezes conhecidos como Mundo dos Espíritos, Inconsciente Coletivo, Planos Interiores, etc. - e vemos na interação de tais dimensões a base de fenômenos paranormais e exercício mágico. Não negligenciamos qualquer das dimensões, vendo ambas como necessárias para nossa realização.

6. Nós não reconhecemos nenhuma hierarquia autoritária, mas honramos aqueles que ensinam, respeitamos os que dividem de maior conhecimento e sabedoria, e admiramos os que corajosamente deram de si em liderança.

7. Nós vemos religião, mágica, e sabedoria como sendo unidas na maneira em que se vê o mundo e vive nele - uma Visão de mundo e filosofia de vida, que identificamos como Bruxaria ou o Caminho Wiccaniano.

8. Chamar-se "Bruxo" não faz um Bruxo - assim como a hereditariedade, ou a coleção de títulos, graus e iniciações. Um Bruxo busca controlar as forças interiores, que tornam a vida possível, de modo a viver sabiamente e bem, sem danos a outros e em harmonia com a Natureza.

9. Nós reconhecemos que é a afirmação e satisfação da vida, em uma continuação de evolução e desenvolvimento da consciência, que dá significado ao Universo que conhecemos, e a nosso papel pessoal dentro do mesmo.

10. Nossa única animosidade acerca da Cristandade, ou de qualquer outra religião ou filosofia, dá-se pelo fato de suas instituições terem clamado ser "o único verdadeiro e correto caminho", e lutado para negar liberdade a outros, e reprimido diferentes modos de prática religiosa e crenças.

11. Como Bruxos Americanos, não nos sentimos ameaçados por debates a respeito da História da Arte, das origens de vários termos, da legitimidade de vários aspectos de diferentes tradições. Somos preocupados com nosso presente e com nosso futuro.

12. Nós não aceitamos o conceito de "mal absoluto", nem adoramos qualquer entidade conhecida como "Satã" ou "o Demônio" como defendido pela Tradição Cristã. Não buscamospoder através do sofrimento de outros, nem aceitamos o conceito de que benefícios pessoais só possam ser alcançados através da negação de outros.

13. Trabalhamos dentro da Natureza para aquilo que é positivo para nossa saúde e bem estar.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Tradições Wicanas



Existem muitas tradições wiccas espalhas pelo mundo, cada bruxo busca seu caminho e encontra este caminho dentro de uma tradição ou solitariamente. Aqui coloco informações sobre algumas tradições conhecidas, mas as especificações masi profundas de cada tradição apenas membros desta poderá passar.

Bruxa de cozinha: Uma Bruxa prática, que é freqüentemente eclética, enfoca e centra sua magia e espiritualidade ao redor “do Forno e do lar”.
 
Bruxaria Cerimonial: Usa a Magia Cerimonial para atingir uma conexão mais forte com as divindades e perceber seus propósitos mais altos e suas habilidades. Seus rituais são freqüentemente derivações da Magia Cabalística e Magia Egípcia. Embora certamente mas não de forma intencional este caminho é infestado freqüentemente por egoístas e pessoas inseguras que usam a Magia Cerimonial para duas finalidades:
1- Adquirir tudo aquilo que querem.
2- Atingir níveis mais altos para poderem olhar de cima.
Estes atributos não são uma regra em todos os Bruxos Cerimoniais e há muitos Bruxos sinceros neste caminho.

Bruxo Hereditário ou Tradição Familiar: Um bruxo que normalmente foi treinado por um ente familiar e/ou pode localizar sua história familiar em outro bruxo ou bruxos. Os bruxos hereditários ou, como gosto de chamar, genéticos são pessoas que têm, ou supõem ter, uma ascendência Pagã (mãe, tia, avó são os alvos mais visados).
A maioria dos Hereditários não aceita a infiltração de pessoas não-pertencentes à sua dinastia, porém algumas Tradições Familiares “adotam” alguns membros, escolhidos “a dedo”, em seu segmento.

Bruxo Solitário: Uma pessoa que pratica a Arte só (mas pode se juntar às festividades de Sabbat em um Coven ou com outros Bruxos Solitários ocasionalmente). Um bruxo solitário pode seguir quaisquer das Tradições, ou nenhuma delas. A maioria de bruxos ecléticos é Solitário.

Bruxaria Tradicional: Todo bruxo tradicional dará uma definição diferente para esse termo. Um bruxo tradicional é aquele que freqüentemente prefere o título de Bruxo ou Wiccano e define os dois como cominhos muito diferentes. Um bruxo tradicional fundamenta seu trabalho mágico em métodos históricos da Tradição, religiosidade e geografia de seu país.

Ecletismo: Um Bruxo Eclético é aquele que funde idéias de muitas Tradições ou fontes, assim como no caldeirão de uma Bruxa são somadas elementos para completar a poção que é preparada, assim também são somadas várias informações de várias Tradições para criar um modo mágico de trabalhar. Esta "Tradição" que realmente não é uma Tradição é flexível, mas às vezes carente de fundamento, geralmente são criados rituais e covens de estrutura livre.

Tradição Alexandrina : Uma Tradição popular que começou ao redor da Inglaterra em 1960 e foi fundada por Alex Sanders. A Tradição Alexandrina é muito semelhante à Gardneriana com algumas mudanças menores e emendas. Esta Tradição trabalha a maneira de Alex e Maxine Sanders que diziam terem sido iniciados por sua avó em 1933. A maioria dos rituais são muito formais e embasados na Magia Cerimonial. É também uma Tradição polarizada onde a Sacerdotiza representa o princípio feminino e o Sacerdote o princípio masculino. Os rituais sazonais na maior parte são baseados na divisão do ano entre o Rei do Azevinho e o Rei do Carvalho e diversos dramas rituais tratam do tema do Deus da Morte / Ressureição. Como na Tradição Gardneriana a Sacerdotiza é elevada autoridade máxima, entretanto os percussores para ambas Tradições foram homens. Embora similar a Gardneriana a Tradição Alexandrina tende a ser mais eclética e liberal, algumas das regras estritas Gardnerianas tais como a exigência do nudismo ritual são opcionais.
Alex Sanders intitulou-se a certa altura "Rei das Bruxas" considerando que o grande número de pessoas que tinha iniciado na sua Tradição lhe dava esse direito. Nem os seus próprios discípulos o levaram muito a sério e para a comunidade Pagã no geral esse título foi apenas motivo de troça quando não de repúdio. Janet e Stewart Farrar são os mias famosos Bruxos que divulgaram largamente a Tradição Alexandrina em suas publicações.

Tradição Algard: Uma americana iniciada nas Tradições Gardneriana e Alexandrina, chamada Mary Nesnick, fundou essa “nova” Tradição, que reúne ensinamentos de ambas as Tradições sob uma única insígnia.

Tradição Asatrú: Teve suas origens no Norte da Europa e é uma das facções das Tradições Teutônica e Nórdica. Esta Tradição é praticada hoje por aqueles que sentem uma ligação com os nórdicos e teutônicos e que desejam estudar a filosofia e religiosidade da antiga Escandinávia, através dos Eddas e Runas. Encoraja um senso de responsabilidade e crescimento espiritual, freqüentemente embasados nos conceitos atribuídos aos nobres guerreiros de tempos ancestrais. Tradição Algard: Uma americana iniciada nas Tradições Gardneriana e Alexandrina, chamada Mary Nesnick, fundou essa "nova" tradição que reúne ensinamentos de ambas tradições sob uma única insígnia.

Tradição Britânica : Uma Tradição com uma forte estrutura hierárquica e graus, os rituais estão centrados na Tradição Céltica e Gardneriana.

Tradição Caledoniana ou Caledonni : Uma Tradição que tenta preservar os antigos festivais dos escoceses e às vezes é chamada de Tradição Hecatina.

Tradição Diânica: Algumas Bruxas Diânicas só enfocam seu culto na Deusa, são muito politicamente ativas e feministas, outras bruxas diânicas simplesmente enfocam seu culto na Deusa como forma de compensar os muitos anos de domínio Patriarcal na Terra. Algumas bruxas diânicas usam este título para denotar que são "as Filhas de Diana" a Deusa protetora delas. Há bruxas diânicas que são tudo isto, algumas que não são nada disto e outras que são um misto disto. A arte Diânica possui duas filiais distintas:
1- Uma filial fundada no Texas por Morgan McFarland? que dá a supremacia à Deusa em sua thealogy, mas honra o Deus Cornífero como seu consorte amado e abençoado. Os membros dos covens dividem-se entre homens e mulheres. Esta filial é chamada às vezes de "Old Dianic" ( Velha Diana ) e há alguns covens descendentes desta Tradição especialmente no Texas. Outros covens similares na thealogy mas que não descendem diretamente da linha de McFarland? e que estão espalhados por todo EUA.
2- A outra filial chamada às vezes de Feitiçaria Feminista Diânica focaliza exclusivamente a Deusa e somente mulheres participam de seus covens e grupos. Geralmente seus rituais são livres e não são hierárquicos, usando a criatividade e o consenso para realização de seus rituais. São politicamente um grupo feminista, há uma presença lésbica forte no movimento embora a maioria de covens estejam abertos à mulheres de todas as orientações.

Tradição das Fadas ou Faery Wicca: Há várias facções da Tradição das Fadas, segundo os membros desta Tradição seus ritos e conhecimentos tiveram origem entre os antigos povos da Europa da Idade do Bronze que ao migrarem para as colinas e altas montanhas devido às guerras e invasões ficaram conhecidos como Sides, Pictos, Duendes ou Fadas. Uma Bruxa desta Tradição poderia trabalhar, mas não necessariamente:
1. Com energias da natureza e espíritos da natureza também conhecidos como : fadas, duendes, etc...
2. Homossexual.
Alguns dos nomes mais famosos desta Tradição são Victor e Cora Anderson, Tom Delong ( Gwydion Penderwyn), Starhawk, etc...

Tradição Familiar ou Hereditária: Um Bruxo que normalmente foi treinado por um ente familiar e/ou pode localizar sua história familiar em outro Bruxo ou Bruxos. Os Bruxos Hereditários, ou Genéticos como gosto de chamar, são pessoas que têm, ou supõem ter, uma ascendência Pagã (mãe, tia, avó são os alvos mais visados). A maioria dos Hereditários não aceitam a infiltração de outras pessoas fora de sua dinastia, porém algumas Tradições Familiares "adotam" alguns membros, escolhidos "à dedo" em seu segmento.

Tradição Galesa de Gwyddonaid: Tradição Galesa Céltica da Wicca que adora o panteão galês de Deuses e Deusas. Gwyddonaid foi quem grosseiramente traduziu a ignóbil obra galesa. Árvore da Bruxa (Tree Witches) e propagou essa forma de trabalhar magicamente.

Tradição Gardneriana: Fundada por Gerald Gardner nos anos de 1950 na Inglaterra, esta Tradição contribuiu muito para Arte ser o que é hoje, a estrutura de muitos rituais e trabalhos mágicos em numerosas tradições são originárias do trabalho de Gardner. Algumas das reinvidicações históricas feitas pelo próprio Gardner e por algumas Bruxas Gardnerianas tem que ainda serem verificadas ( e em alguns casos são fortemente contestadas ) porém esta Tradição apoiou muitas Bruxas modernas.
Gerald B. Gardner é considerado "O Avó" de toda a Neo-Wicca, foi iniciado em um coven de NewForest? na Inglaterra em 1939. Em 1951 a última das leis inglesas contra a Bruxaria foi banida (primeiramente devido à pressão de Espiritualistas ) e Gardner publicou o famoso livro "Witchcraft Today" trazendo uma versão dos rituais e as tradições do coven pelo qual foi iniciado. Gardnerianismo é uma tradição extremamente hierarquica, a Sacerdotisa e o Sacerdote governam o coven e os princípios do amor e da confiança presidem.
Os praticantes desta Tradição trabalham "Vestidos de Céu" ( nus ) além de manterem o esquema de Seita Secreta, nos EUA e Inglaterra os Gardnerianos são chamados de "Snobs of the Craft" ( Snobs da Arte ) pois muitos deles acreditam que são os únicos descendentes diretos do Paganismo Purista. Cada coven Gardneriano é autônomo e é dirigido por uma Sacerdotisa com a ajuda do Sacerdote, Senhores dos Quadrantes, Mensageiro, etc... isto mantém a linhagem e cria um número de líderes e de professores experientes para o treinamento dos Iniciados.
A Bíblia Completa das Bruxas ( The Witches Bible Complete ) escrita por Janet e Stuart Farrar como também muitos livros escritos por Doreen Valiente tem base nesta Tradição e na Tradição Alexandrina em muitos aspectos.

Tradição Georgina: Esta Tradição foi criada por George Patterson que se auto intitulou como sendo um "Sumo Sacerdote Georgino". Quando começou o seu próprio coven chamou-o de Georgino já que seu prenome era George. Se há uma palavra que melhor pode descrever a Tradição de George seria "Eclética". A Tradição Georgina é um composto de rituais Celtas, Alexandrinos, Gardnerianos e Tradicionais, mesmo que a maior parte do material fornecido aos estudantes sejam Alexandrinos nunca houve um imperativo para seguir cegamente seu conteúdo. Os boletins de notícias publicados pelo fundador da Tradição estavam sempre cheios de contribuições dos povos de muitas outras Tradições, parece que a intenção do Sr. Patterson era fornecer uma visão abrangente aos seus discípulos.

Tradição Hecatina: Uma Tradição de Bruxos que buscam inspiração em Hécate e tentam reconstruir e modernizar os rituais antigos da adoração à esta Deusa. É algumas vezes chamadas de Tradição Caledoniana ou Caledonii.

Bruxaria Tradicional Ibérica: Uma bruxaria onde participam pessoas que habitam a região que compreende a penísula ibérica, principalmente Portugal e Espanha. Seus ancestrais adoravam os seus Deuses, com cultos diferenciados entre tribos e regiões; eles amavam e respeitavam os lugares e espíritos da natureza, colhiam e caçavam com bravura e respeito.
No passado a Península Ibérica foi palco de influências de vários povos entre eles: os Fenícios, Cartagineses, Suevos, Visigodos, Celtas (daí o rótulo de Celtibero, palavra que representa mistura de povos Celtas e Ibéricos). As divindades nunca se mesclaram facilmente com as dos povos invasores. A adoração e o Ritual dos Deuses têm a ver com a Arte Antiga, hoje chamada por uns de "Tradicionalista" e claro, muito anterior à Wicca que vemos do autor Gardner e outros decorrentes. Além disso, é sabido o quanto Gerald Gardner percorreu por várias vezes a Espanha na busca do culto dos Antigos... e nunca os encontrou realmente, pois os grupos de bruxos conhecidos por Aquellares e Coevas (covens) são fechados e o que se fala para o exterior é cauteloso de acordo com as Leis Wiccans!
O espírito religioso dos romanos baseava-se na importação dos Deuses das varias regiões conquistadas. Podemos citar a Grécia como exemplo disso. Todos os Deuses Gregos foram importados dando origem a Deuses Romanos de poder, influência e semântica similares. Os romanos também querendo absorver "os poderes das tribos" conquistadas, apropriavam-se dos nomes dos Deuses locais e os aplicavam conforme as conveniências em sua cultura, sem contudo nestes Deuses romanos recém criados existir o verdadeiro sentido mágico-religioso.
Assim aconteceu com a nossa Deusa Atégina que após a romanização, virou Próserpina, nome deveras conhecido na mitologia romana, mas, muito antes de Roma ser criada, os povos locais já conheciam a lenda da Descida da Deusa Atégina aos mundos interiores. Podemos notar também pela história que, cinco séculos antes de Roma, já haviam chegado à Europa a cultura dos Gregos e dos Fenícios e, depois, dos Cartagineses que não forçaram os habitantes ibéricos com suas religiões, entretanto foram bastante influentes na passagem de segredos e mistérios aos Sábios tribais dos Santuários primitivos já existentes na Península Ibérica. A Tradição dos ibéricos tem uma ancestralidade reconhecida num vasto Panteão autônomo, quase livre de influências exteriores, e nos variadíssimos vestígios históricos, que cada vez mais surgirão à luz dos homens.
Não poderíamos ficar allheios também da importância trazida pelas culturas Fenícia, Cretense e Grega e cuja cultura resplandecente causou assombro e respeito aos povos nativos ibéricos do litoral português com os cultos de Baal Merkart e de Tanith de Cartago cultuada no seu local em Nazaré. O Panteão Ibérico é rico e tribal. Os Deuses que compõem este panteão existem nas antigas regiões da Bética, da Lusitânia e da Calaecia, e entre várias Divindades, cultua-se:
Endovélico - o Curador,
Atégina - A Deusa Mãe,
Trebaruna - A Guerreira e Protetora,
Bônconcios - O Guerreiro,
Tongoenabiagus - O Fertilizador,
Tanira - A deusa das Artes,
Nabica - A Ninfa das Florestas,
Aernus - O senhor dos ventos do norte,
Brigantés - a Deusa guerreira . (Esta divindade é resultante da influência dos povos do norte da Europa nas terras da Ibéria - A qual não têm nada a ver com Briga ou Brigit dos druidas e muito menos a ver com os seus cultos).
Os feiticeiros Ibéricos não seguem os atuais calendários usados na Wicca, mas sim os calendários vivos que a própria Tradição os ditou através dos tempos. Nesta Tradição há 3 Celebrações anuais básicas: O nascimento, O Apogeu e o Rito aos Idos aonde visitamos o Rio do Esquecimento, para cultuar seus antepassados.
Na Tradição Ibérica o culto é dirigido a uma só Deusa ou a um Deus e cada Divindade é adorada individualmente, salvo algumas exceções, não se aplicando a ritualística de Deusa e seu Consorte, tão difundida pela Wicca e não existe o conceito de deuses infernais, nem duos ou trindades de Deuses.

Tradição 1734: Tipicamente britânica é as vezes uma Tradição eclética baseada nas idéias do poeta Robert Cochrane, um auto-intitulado Bruxo hereditário que se suicidou através da ingestão de uma grande quantidade de beladona. 1734 é usado como um criptograma ( caracteres secretos ) para o nome da Deusa honrada nesta Tradição.

Tradição Picta: É uma das manifestações da Bruxaria tipicamente escocesa, na maioria das vezes é uma forma solitária da Arte. Seu enfoque prático é basicamente mágico e possui poucos elementos religiosos e filosóficos.

Tradição Strega: Começou ao redor da Itália em 1353. a história controversa sobre essa Tradição pode ser encontrada em muitos locais e livros. Aradia... Gospell of the Witches (Aradia... A Doutrina das Bruxas) é uma obra desse tipo.

Tradição Teutônica ou Nórdica: Teutônicos são um grupo de pessoas que falam norueguês, fosso, islandês, sueco ou inglês e outros dialetos europeus que são considerados “idiomas germânico”. Um bruxo Teutônicos acha freqüentemente inspiração nos mitos tradicionais e lendas, Deuses e Deusas das áreas onde esses dialetos se originaram.

Seax Wicca ou Wicca Saxônica: Fundada em 1973 pelo autor prolífico Raymond Buckland, que era, naquele momento, um Bruxo Gardneriano. Uma das primeiras tradições precursoras dos Bruxos Solitários e auto-iniciados. Esses dois aspectos fizeram dela uma caminho popular.

Wicca Céltica: Uma Tradição muito telúrica, com enfoques na Natureza, nos elementos e elementais, algumas vezes nas fadas, plantas, etc. muitas Bruxas Verdes (Green Witches) e adeptos do Druidismo seguem esse caminho, centrado no panteão céltico antigo e em seus Deuses e Deusas.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

VÊNUS, DEUSAS

ARTE VÊNUS
PRÉ-HISTÓRICAS


Os arqueólogos denominaram as estatuetas femininas de vênus, acreditando que elas correspondiam a um ideal de beleza do homem pré-histórico.
Na realidade, como na pintura mágica, o artista talvez quisesse apenas ressaltar as características da fertilidade feminina: por isso acentuava-lhes os volumes.
Eram diversos os materiais em que se eram esculpidas as obras: ossos, madeira, pedra, marfim, metais, entre outros.



Vênus de Brassempouy

Vênus de Brassempouy (ou Vénus de Brassempouy), Dama de Brassempouy ou também Busto de Brassempouy é uma miniatura em forma de busto feminino, esculpida em marfim de mamute durante o Pleistoceno, por volta de vinte e dois mil anos.
Vênus de Brassempouy foi encontrada em 1894 na Grotte du Pape, localizada perto de Brassempouy, em Landes, no sul da França - daí seu nome. Apesar de se tratar de um busto, propriamente dito, ela geralmente é classificada como uma (mini) estátua de Vênus.
Ela também é um dos exemplares mais antigos de artefatos pré-históricos contendo uma representação da face humana. Estátuas daquele período, geralmente, não apresentavam qualquer definição facial.
Estátua paleolítica talhada em marfim. Mede aproximadamente 3,5 cm. Encontrada em 1894 por Edouard Piette na França, calcula-se que tem uns 30.000 anos. Acredita-se que na pré-história tinha os lábios e olhos pintados, já que se foram encontrados vestígios de pintura nestas regiões.


Vênus de Willendorf

Hoje também conhecida como Mulher de Willendorf, é uma estatueta com 11,1 cm (4 3/8 polegadas) de altura representando estilisticamente uma mulher.
Descoberta no sítio arqueológico do paleolítico situado perto de Willendorf, na Áustria, em 1908, pelo arqueólogo Josef Szombathy. Está esculpida em calcário oolítico, material que não existe na região, e colorido com ocre vermelho.
Em 1990, após uma revisão da análise estratigráfica deste sítio arqueológico, estimou-se que tivesse sido esculpida há 22000 ou 24000 anos. Pouco se sabe sobre a origem, método de criação e significado cultural.
A Vénus não pretende ser um retrato realista, mas uma idealização da figura feminina. A vulva, seios e barriga são extremamente volumosos, de onde se infere que tenha uma relação forte com o conceito da fertilidade. Os braços, muito frágeis e quase imperceptíveis, dobram-se sobre os seios e não têm uma face visível, sendo a cabeça coberta do que podem ser rolos de tranças, um tipo de penteado ou mesmo vários olhos.
O apelido com que ficou conhecida causa alguma relutância a alguns estudiosos actuais, que não conseguem ver nesta figura com características de obesidade a imagem clássica de uma Vênus. Christopher Witcombe, professor na Sweet Briar College, em Virgínia por exemplo, refere que "a identificação irónica destas figuras com Vénus satisfez de forma prazenteira alguns conceitos correntes, na época, sobre o que era o homem primitivo, sobre as mulheres e sobre o sentido estético". Outros autores têm alguma relutância em identificá-la como a deusa Mãe-Terra (Grande Mãe) da cultura européia do Paleolítico. Alguns sugerem que a corpulência representa um elevado estatuto social numa sociedade caçadora-recolectora e que, além da óbvia referência à fertilidade, a imagem podia ser também um símbolo de segurança, de sucesso e de bem-estar.
Os pés da estátua não estão esculpidos de forma que se mantenha em pé por si mesma. Por essa razão, especula-se que fosse usada para ser trazida por alguém em vez de ser apenas observada, podendo ser apenas um amuleto. Há ainda quem avance a hipótese de que poderia ser inserida na vagina, em rituais de fertilidade.
A Vénus faz parte da colecção do Museu de História Natural de Viena (Naturhistorisches Museum).
Outras representações semelhantes foram descobertas depois desta, ficando também conhecidas como "Vénus".


Vênus de Grimaldi

Aproximadamente 20000 a.C. A figura de uma deusa grávida esculpida em pedra sabão verde. Mede 8.1 cm.
Seu descobridor foi Reinach (1898), na caverna del Príncipe (Grimaldi, Liguria, Italia).
Atualmente se encontra no Museu de Antiguidades da Nação de Saint-Germain-en-Laye-Laye, França.


Vênus de Laussel

A Vênus de Laussel ou "mulher com corno" é uma estatueta de Vênus, pertencente à arte paleolítica. Foi descoberta em 1909 pelo doutor Lalanne e Buoysonnie, no denominado "Grand Abri", localizado na estação arqueológica de Laussel na localidade de Marquay, na Dordonha francesa. Foi produzida em um pedaço de um bloco de pedra calcária, aproximadamente 23000 a 20000 a.c.
Interpretação: Segundo Leroi-Gourhan estaríamos ante dois símbolos complementares femininos, o bisão e as mulheres, o homem. Outras interpretações mais tradicionais, por outro lado, relacionam à «Mulher com Corno» de Laussel com uma deusa da fertilidade, na qual o corno representaria a cornucópia da abundância, as covinhas da menstruação simbolizariam o ciclo da natureza, e a mulher oferece o seu ventre, os seus seios e a sua vulva como geradores de vida. A Vênus de Lassuel, ligada ao mistério gerativo da feminilidade.
Encontra-se atualmente no Musée d'Aquitaine (Museu da Aquitânia) em Bordéus.


Vênus de Von Gagarino

Origem: Tambour, Ucrânia.
Aproximadamente 22.000 a.C.
Composição: rocha vulcânica.



Vênus Kostenki

Origem: Avdeevo, Kursk, Rússia.
Descoberta por Abramova em 1967.
Aproximadamente 30000 à 15000 a.C.
Esculpida em marfim de mamute.
Esta figura representa o Paleolítico 'Venus', com seios demasiado grandes e barriga. A cabeça se inclina em direção ao rosto do tórax e os braços são pressionados para o corpo com as mãos sobre o ventre. Cobrindo a superfície da cabeça são as linhas de incisões que indica um estilo de cabelo ou chapéu. Alívio trabalho sob a forma de uma trança apertada transmitir um ornamento da mama amarrado nas costas. Há pulseiras nos braços.


Vênus de Lespugue

Origem: Des Rideaux, Alto Garona, França.
Descoberta por Saint-Perier em 1922.
Aproximadamente 21000 a.C.
Esculpida em marfim de mamute. A cabeça ovóide sem detalhes, sobretudo, no rosto, é muito comum neste tipo de figuras. Mas sim que leva pequenas incisões paralelas e alongadas que foram interpretadas como uma representação estilizada do pêlo. Os seios e as nádegas formam uma espécie de esfera ou círculo central.
Chama a atenção que, na parte traseira, cobrindo parcialmente as nádegas, há uma série de estrias paralelas e verticais cuja interpretação foi muito discutida. Talvez seja alguma representação esquemática de alguma prenda de vestir: uma espécie de mini-saia. Segundo a opinião da investigadora Elizabeth Wayland Barber, experta na história do tecido, é, possivelmente, o exemplo mais antigo da história duma tela trançado.
A Vênus de Lespugne, com celebrações estilizadas e quase abstratas dos componentes da fêmea procriadora.
A Vênus de Lespugue expõe-se no Museu do Homem de Paris.



Vênus Dolni Vestonice

A Vênus de Dolní Věstonice é uma estatueta de terracota de uma figura feminina, datada entre 29000 a.C. e 25000 a.C., que foi encontrada no sítio arqueológico de Dolní Vestonice paleolítico (Mikuloy, Moravia, Chescoslovaquia) por Absolon em 1924, situado na aldeia homônima (a sul de Brno, na República Tcheca).
Esta conhecida Vênus apareceu nas primeiras campanhas. Mede 11cm de altura (embora faltem parte das extremidades inferiores), e 4,3cm de largura. Esta estatueta poderia ser uma das evidências mais antigas da cerâmica. Confeccionada da mistura de ossos pulverizados e de lama cozida. Tem a cabeça sem pormenor algum, exceto duas incisões que poderiam representar os olhos. Os braços apenas são esboçados, por outro lado os grandes peitos, o umbigo e a linha inguinal foram elaborados com muito detalhe. Embora perdesse os pés, parece que teve um extremo inferior pontiagudo. Os últimos estudos chegaram a localizar uma Impressão digital (marcada na argila antes da cocção) que, aparentemente, pertenceu a um menino dentre sete e quinze. Destaca como simbolismo o de que suas lagrimas trilham um caminho até cada uma de suas mamas.
A Vênus de Dolní Věstonice é depositada no Museu de Brno. Devido à sua delicadeza, não é exposta ao público (que deve formar-se com uma réplica).


Vénus de Hohle Fels

A Vênus de Hohle Fels, também conhecida como Vénus de Schelklingen, é uma estatueta com que tem menos de seis centímetros de altura e 33g de peso representando estilisticamente uma mulher, descoberta no sítio arqueológico do paleolítico situado perto de Schelklingen, na Alemanha.
A descoberta foi feita nas grutas de Hohle Fels em estratos do Paleolítico Superior em Setembro de 2008. Está esculpida em marfim e é a representação mais antiga conhecida de arte figurativa. As formas exageradas podem, ou não representar um ideal de fertilidade.


Vênus de Galgenberg

A Vênus de Galgenberg é uma estatueta de Vênus do aurignacianas, datado de 30 mil anos atrás.
Foi descoberto em 1988, perto de Stratzing, Áustria, não muito longe do local da Vênus de Willendorf.
A estatueta de medidas de 7,2 centímetros de altura e pesa 10 g. É esculpida do verde Serpentine rock.


Vênus de Las Caldas

A Vênus de Las Caldas é uma estatueta de Vênus esculpido com características Magdalenianas que foi encontrada em Oviedo, uma cidade e um município da província e comunidade autónoma do Principado das Astúrias.


Vênus de Mal'ta

A Vênus de Mal'ta é uma estatueta de Vênus do Paleolítico Superior que representa uma mulher. Foi descoberta na estação arqueológica de Mal'ta, nas beiras do rio Belaya, afluente do Angara, a uns 100 km de distância do Lago Baikal, em Sibéria, Rússia.
Datadas de 12800 a.C, o que converte a estação em coletânea do Magdaleniano europeu. O material lítico ou não, grosso modo é paralelo do europeu magdaleniano.
Estas estatuetas femininas formam uma série, na qual a maior alcança 13,6 cm e a menor 3,1 cm de altura.
Interpretação: A freqüente insinuação de vestimenta nas estatuetas de Mal'ta e, sobretudo, as características de duas delas, levou V.I. Gromov a crer que estavam cobertas com couros de animais, na qual uma está muito marcado o rabo de um felino, que o autor citado cuida um leão das cavernas. Para Gromov representariam feiticeiras participantes em ritos da fecundidade, ou mesmo prefigurações temporãs da Deusa Mãe que logo se afirma culturalmente no Neolítico.


Vênus de Moravany

A Vênus de Moravany é uma estatueta de Vênus no Moravany nad Váhon, próximo a Piešťany, na Eslováquia.
Uma fêmea chamada pequena estátua Vênus de Moravany foi encontrado nas proximidades da aldeia Moravany nad Váhom. É feito de mamute de marfim e é datado de 22.800 a.C. Atualmente reside no Castelo de Bratislava museu. Em outra aldeia próxima, Krakovany-Stráze, um tesouro composto por artigos de luxo feitos de vidro, bronze, prata e ouro foi descoberto em três sepulturas 200-300 a.D. Os arredores de Piešťany também incluir a Grande Morávia castelo de Ducové.
A Vênus da Moravia supõe terem sido feitos cerimônias da fertilidade e do crescimento.


Vênus de Savignano

A Vênus de Savignano é uma estatueta italiana de esteatita datada no Paleolítico Superior. Foi descoberta em 1925 durante os trabalhos de construção de um edifício na vila de Savignano sul Panaro, na província de Módena, na Itália. Casualmente caiu em mãos do escultor Giuseppe Craziossi, pai o reputado especialista em arte paleolítico, Paolo Graziosi, quem se deu conta, imediatamente, do seu enorme interesse, e a comprou para doá-la ao Museu Pigorini.
É uma das esculturas maiores dentro do conjunto de vênus paleolíticas: mede 22,5 cm de altura, 5cm de largura e 6,5cm de grossura; chegando apesar mais de meio quilograma.
A superfície esta brunida, mas conserva restos do talhe. A parte superior não tem forma de cabeça, senão que poderia descrever-se como o capitore de um penitente de Semana Santa. Em lugar de face tem uma aresta vertical, como se a cabeça fosse um prisma piramidal cuja base são os peitos da mulher. Os braços são rascunhos e recordam às de outras Vênus, já que, embora não se vê claramente, parecem repousar sobre os seios, muito volumosos e arredondados. O abdômen é estreito, visto de frente, mas muito proeminente visto de perfil. Está muito erguida, com pregas adiposas nos rins e com nádegas avultadas. Carece de pés, já que a parte inferior é muito afiada e pontiaguda, como se fosse simétrica da parte superior. Há pequenas pegadas no vértice inferior que permitem supor que foi cravada no chão para sustê-la em vertical.
A Vênus de Savignano faz parte do Museu Pigorini, em Roma.


Vênus de Tan-Tan

A Vênus de Tan-Tan é uma possível figura antropomorfa, de ao redor de 6cm de altura, cujo suporte é um seixo de quartzito. Este tem várias fendas que conferem a sua característica morfologia: algumas delas são naturais e outras, aparentemente, artificiais; além disso, conserva restos de ocre. Dado que foi achada numa escavação arqueológica, num contexto próprio do Paleolítico Inferior, foi datada, embora com muitas dúvidas, por volta de 200.000-300.000 anos de antiguidade (alguns cientistas atrasam esta datação até os 400.000 anos); é, em qualquer caso, contemporânea do Homo Heidelbergensis.
A suposta figura foi descoberta em 1999, pela equipe de escavações do arqueólogo alemão Lutz Fieldler, a 15m de profundeza, num sedimento fluvial do rio Draa, perto da localidade de Tan-Tan (ao norte de Tarfaya, Marrocos). O contexto arqueológico que acompanhava à figura era, certamente, um Acheulense meio evoluído com numerosas bifaces e utensílios sobre lasca.


Deusa da Pesca

Deusa da Pesca (6000 à 5800 a.C.)
Imagem de Deusa esculpida em um canto redondo de arenito. Tem olhos de peixe, seios, vulva destacada e mãos em forma de Garras de ave. Mede 51 cm.
Vem da cultura de Lepenski Vir da Região Yugoslava das Portas de Ferro, onde estava entronada como a senhora da vida e da morte.
É conservada no museu da universidade de Belgrado, Yugoslávia.


Dama de Pazardzik

Dama de Pazardzik (metade V milênio a.C.).
Figura de terracota de Deusa grávida sentada sobre um banco: destacam-se suas grandes nádegas e um destacado triângulo pubiano que está adornado com os clássicos símbolos da Deusa em forma de aspirais e losângolos.
Mede 18,4 cm e vem da cultura Karanovo de Pazardzik (Bulgária).
Encontra-se no Museu da História Natural de Viena, Áustria.

 
Deusa Sentada

Deusa Sentada (VI milênio a.C.)
Figura de Deusa moldada em argila.
Localizada em Munhata (Vale do Jordão).
Encontra-se no Museu de Israel em Jerusalém (Israel).


Deusa da Ressurreição

Deusa da Ressurreição (5500 a.C).
Tem um exagerado triângulo pubiano. Feita em terracota, mede 13,7 cm e procede de alguma parte de Israel.
Encontra-se em “Dagon Agricultural Collection” de Haifa, Israel.


Deusa Pássaro amamentando o seu filho

Deusa Pássaro amamentando o seu filho (5000 a.C.)
Figura em terracota pertencente a cultura Vinca.
Mede 21 cm e vem de Drenovac, Servia.
Conserva-se em “Narodni Muzej” de Belgrado, Yugoslávia.


Deusa do Parto

Deusa do Parto (6000 a.C.)
Figura de uma grande Deusa Majestosa, entronada, apoiada por dois felinos, no momento do parto (saí uma cabeça entre suas pernas).
É de argila, mede 11,8 cm e procede de Catal Hüyük (Anatolia, Turquía).


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Deusa Serpente

Deusa Serpente (6000-5500 a.C.).
Deusa sentada e coroada com rosto e corpo.
Humanos e pernas em formas de serpente (serpentiformes); se reservava a cultos em Santuários domésticos e sua função era garantir a continuidade da vida.
Feita em argila, mede 14,2 cm e provem de Kato Ierapetra (Creta, Grécia).


Deusa entronada e Deusa com foice

Deusa entronada (aproximadamente 5000 a.C.)
Decorada com abundância de símbolos da Deusa Pássaro.
Deus com foice (aproximadamente 5000 à 4700 a.C.), divindade masculina com uma foice como símbolo de renovação e decorado com simbolismo que ela é subordinada.
Os Deuses medem 23 e 23,5 cm respectivamente, ambos pertencem a cultura Tisza e vêm de Szegvár- Tüzköves (Szentes, Hungria). São conservados no Koszta Josef Museu de Szentes, Hungria.


Os amantes de Gumelnita

Os amantes de Gumelnita (aproximadamente segunda metade do V milênio a.C.).
Par de deuses com seus atributos sexuais proeminentes que representam a primeira amostra famosa do ritual do matrimonio sagrado de uma Deusa um Deus fertilizador.
Pertencem à cultura Balcânica Oriental, são de terra-cota, medem 7 cm e vêm de Gumelnita (Romênia). Conserva-se no Museu Arqueológico de Oltenita, Romênia.


Deus Itifálico

Deus Itifálico* com máscara de pássaro (aproximadamente segunda metade do V milênio a.C.).
Pertence a cultura Vinca, é de terracota, mede 7 cm e procede de Fafos (Kosoysja Mitrovica, Kosoyo, Iugoslávia). Se conserva no Opstinski Museu de Kosoyska Mitrovica, Iugoslávia.

* Palavra espanhola sem tradução na Lingua Portuguesa, que corresponde literalmente: Itifálico = "com o pênis ereto",

* Nome com o qual se referiam a certos deuses. Seu significado era totalmente de feculdação e renovação e não se agregava nenhum sentido sexual como poderia se atribuir nos dias de hoje.


Dama Branca Rígida

Dama Branca Rígida (aproximadamente 6000 a.C.).
Figura de mármore da Deusa da morte e da ressurreição com braços apenas esboçados e um enorme triângulo pubiano. Pertence a cultura Karanovo, mede 7 cm e procede do habitat de Azmask (Bulgária).
Encontra-se em “Narodni Muzej” de Belgrado, Iugoslávia.


Urnas funerárias

Urnas funerárias antropomorfas (aproximadamente 3000 a.C.).
Com a figura da Deusa Coruja em sua qualidade de Deusa da morte e da ressureição. São de terracota, contém os restos mortais de três crianças e pertencem a cultura Baden (Hungria). Se encontra no Museu Nacional de Budapest, Hungria.

 
Deusa Neolítica Egípcia

Deusa Neolítica Egípcia (aproximadamente final do V milênio a.C.)
Este tipo de deusas do neolítico egípcio, são pouco conhecidas, também tem o triângulo pubiano bastante acentuado. É de marfim, mede 14,3 cm e procede de Baradi (Egito). Encontra-se no Museu Britânico de Londres, Inglaterra.


Deusa Serpente

Deusa Serpente (aproximadamente V milênio a.C.).
Deusa com cabeça de cobra amamentando o seu filho. Seu triângulo pubiano remarcado denota sua função como regeneradora. Pertence a cultura mesopotâmica de Ur é de terracota, mede 14 cm e vem de Ur. Encontra-se no Museu do Iraque em Bagdá, Iraque.




http://www.pepe-rodriguez.com/Dios_mujer/Dios_mujer_catalogo_imag.htm


http://wapedia.mobi/pt/Anexo:Lista_de_estatuetas_de_v%C3%AAnus


http://pt.wikipedia.org

http://www.portaldarte.com.br/prehistoricavenus.htm






quinta-feira, 19 de agosto de 2010

RENASCER DA BRUXARIA - WICCA



Quando iniciamos o estudo de algo que nos é novo, a primeira pergunta que nos vêm à mente é: “de onde surgiu?”. Portanto, nada mais correto do que usar a história da Arte como ponto de partida. De onde veio a Wicca? Como tornou-se o que é hoje? O que ela é hoje?

Wicca é uma palavra do inglês arcaico que quer dizer “bruxo” (plural wicce). Há quem diga que seu significado é “sábio”, mas isso não corresponde à verdade. A palavra tem sua origem na raiz indo-européia ‘wikk-’, significando ‘magia’, ‘feitiçaria’. O nome Wicca é o mais usado para denominar nossa religião. Ela também é conhecida como Bruxaria, Feitiçaria, Antiga Religião e Arte dos Sábios, ou, simplesmente, A Arte.

A partir da metade do século XIX, a Bruxaria tornou-se novamente objeto de discussão, graças ao renascer do interesse em mitologia, folclore e magia. Em 1862, Jules Michelet lançou sua obra “A Feiticeira”, na qual falou sobre a sobrevivência dos cultos pagãos nas Idades Média e Moderna e sobre o surgimento paralelo do satanismo. Apesar de importante, as principais intenções de seu livro eram políticas: pretendia provar que a Bruxaria era um culto surgido nas camadas inferiores da sociedade em protesto à repressão da classe dominante. Isso pode ser verdadeiro para o satanismo, mas não corresponde à realidade quando se trata de Bruxaria.

Mas isso não diminui a importância de seu livro: sua tese da sobrevivência dos cultos pagãos influenciou o trabalho de vários antropólogos e folcloristas do final do século XIX e do início do século XX. Um deles foi o norte-americano Charles Leland, um folclorista conhecido na época por suas pesquisas sobre cultura cigana. Em 1899, Leland lançou um livro intitulado “Aradia, ou o Evangelho das Bruxas”. Foi a primeira obra de grande importância para o renascimento da Bruxaria no século XX. Neste livro, Leland registrava as crenças reunidas por uma bruxa toscana chamada Maddalena, que ele conhecera em uma viagem pela Itália no ano de 1866. O livro fala da vecchia religione praticada naquela região: o culto à Deusa Aradia, filha de Diana com seu irmão Lúcifer. Aradia foi la prima strega (‘a primeira bruxa’), enviada à Terra por sua mãe para ensinar as artes da feitiçaria aos humanos. A idoneidade do livro é contestada atualmente por alguns historiadores da feitiçaria, que argumentam que Leland dirigiu sua pesquisa para enquadrar-se em suas concepções e nas idéias de Michelet. Outros dizem ainda que Maddalena traiu a boa fé do folclorista. O fato é que nada disto tira o mérito do livro, um clássico da Bruxaria moderna.

A década de 20 produziu dois importantes livros para a Bruxaria moderna: um deles foi “O Ramo de Ouro” (‘The Golden Bough’), gigantesca obra do antropólogo James Frazer, versando sobre rituais de fertilidade. As idéias que expôs em sua obra, juntamente com o conhecimento passado por Leland em ‘Aradia’ levaram a antropóloga Margaret Murray a lançar seu importante livro “O Culto de Bruxaria na Europa Ocidental” (‘The Witch-Cult in Western Europe’), em 1921. Nele Murray sustentava que a Bruxaria era uma antiquíssima religião organizada, presente em toda a Europa, baseada no culto a um deus chifrudo da fertilidade, que ela denominou de Dianus (ela falou mais sobre ele em seu livro ‘The God of the Witches’). De acordo com ela, essa religião havia sobrevivido à perseguição e continuava com suas práticas, de maneira oculta. Muitas críticas já foram feitas à Murray, e a maioria se baseou na fraqueza de alguns de seus argumentos para defender a suposta ‘organização’ dessa religião. Hoje sabemos que ela não era tão organizada nem praticada em tantos lugares quanto Murray sustentava, mas indubitavelmente existia um culto pagão, praticado de formas diferentes em lugares diferentes, que sobreviveu à perseguição.

Em 1948 Robert Graves escreveu sua excelente obra ‘A Deusa Branca’ (‘The White Goddess’), no qual concordava com Murray quanto à existência de um culto pagão disseminado pela Europa, mas apoiava a tese de que sua divindade mais importante era uma Deusa-Mãe, e não o Deus de Chifres. Três anos depois, em 1951, caíram as últimas leis anti-feitiçaria da Inglaterra. A porta estava aberta para os bruxos.

Surge então Gerald Gardner, o mais importante personagem do renascimento da Bruxaria como religião. Gardner era um folclorista inglês, amigo pessoal do grande mago Aleister Crowley. Admirador de Frazer e Murray, realizava profundas pesquisas sobre os cultos de fertilidade pré- cristãos e sua sobrevivência. No decorrer destas pesquisas, em 1939, conheceu um grupo de pessoas que mais tarde descobriu fazerem parte de um Coven secreto (como o eram todos, na época). Gardner ficou fascinado: a existência destes bruxos confirmava as teses de Margaret Murray. Estabeleceu uma relação de amizade profunda com os membros deste Coven (denominado Coven de New Forest), e acabou por receber Iniciação.

O Coven de New Forest, dirigido por uma bruxa conhecida por ‘Old Dorothy’, era representante de uma tradição que havia sobrevivido às perseguições. Há quem insinue que Gardner inventou o Coven para dar bases à seu trabalho posterior, e que Old Dorothy nem ao menos existiu. Essas declarações foram refutadas com alegadas evidências históricas por Doreen Valiente, no ensaio “Em Busca de Old Dorothy”, publicado no livro “The Witches’ Way” (‘O Caminho dos Bruxos’), do casal Janet e Stewart Farrar. Com o passar do tempo, Gardner preocupou-se com o futuro da Tradição, pois todos os membros do Coven eram idosos, e não havia previsão de aceitar novos iniciados. Ele não aceitou esse destino, e pediu permissão para publicar algumas práticas da religião. Relutantes, os Sábios do Coven negaram.

Mesmo assim, Gardner publicou, em 1948, “High Magic’s Aid”, um romance no qual descrevia, sutilmente, alguns rituais da Arte. A publicação do livro causou polêmica entre o Coven de New Forest, e Gardner quase foi banido. Mas, com a queda das leis anti-feitiçaria, os Sábios do Coven reviram sua posição e deram permissão a Gardner para afirmar que a Bruxaria estava viva, desde que não revelasse nenhum segredo. Então, em 1954, Gerald Gardner publicou o primeiro livro da Bruxaria Moderna: “Witchcraft Today”, seguido de “The Meaning of Witchcraft” (1959). Neles, Gardner afirmava estarem certas as teorias de Murray, pois ele mesmo era um bruxo iniciado. Os livros falavam apenas superficialmente sobre a Tradição que lhe havia sido confiada, concentrando-se mais no aspecto histórico da religião. Paralelamente à publicação dos livros, Gardner saiu do Coven de New Forest e iniciou seu próprio Coven, iniciando pessoas que lhe pareciam sinceras e dedicadas. A essas pessoas, transmitia integralmente o conteúdo de um manuscrito, por ele denominado de “Livro das Sombras”. Este livro continha integralmente a Tradição do Coven de New Forest, mesclada a práticas mágicas retiradas da Clavícula de Salomão e dos escritos de Crowley. Seu conteúdo, copiado por todo iniciado, passou a ser denominado de Tradição Gardneriana, a primeira Tradição da Bruxaria Moderna.

O ‘Livro das Sombras’ Gardneriano teve três versões, conhecidas pelas letras A, B e C. O texto que é utilizado atualmente pelos Covens Gardnerianos é o C, escrito por Gardner em conjunto com uma de suas iniciadas, Doreen Valiente, responsável por grandes mudanças no texto original. Valiente ‘paganizou’ ao máximo os ritos e textos, retirando qualquer influência de magia judaico-cristã ou textos escritos por Crowley. Atualmente, a Gardneriana é a mais sigilosa de todas as Tradições modernas.

Gardner morreu em 1964, e o comando de seus Covens foi passado à Monique Wilson, conhecida como Lady Olwen. Na década de 60, surgiu outro personagem importante na história moderna da Arte: Alex Sanders, que recebeu o título de “Rei dos Bruxos”. Sanders era um grande interessado em bruxaria, que nunca havia conseguido ingressar em um dos Covens Gardnerianos. De algum modo que até hoje não está bem esclarecido, conseguiu tomar posse de um ‘Livro das Sombras’ Gardneriano. Uniu o conhecimento do livro (provavelmente cópia do texto A) ao que afirmava ter sido transmitido por sua avó, uma bruxa familiar. Sanders possuía um temperamento completamente antagônico ao de Gardner. Era um especialista em marketing pessoal, o que lhe deu extrema notoriedade. Milhares de pessoas foram iniciadas em seus Covens, e ele aparecia em entrevistas em TV, rádio e jornais. Era tão público que foi ameaçado de maldição por bruxos mais tradicionais, temendo que ele revelasse algum grande segredo da Arte. Mas isto nunca ocorreu: Sanders era um ‘show-man’, mas não era burro.

A Tradição Alexandriana, fundada por Alex Sanders, é muito semelhante à Gardneriana. Sua principal diferença é a maior ênfase mágico-cabalística, quase inexistente na Tradição de Gardner. Sanders morreu em 1988, mas sua Tradição é uma das mais difundidas no mundo. Existe também uma Tradição moderna denominada Alexandriana-Gardneriana (Al-Gard), que tenta conciliar os ensinamentos de ambas, com a inclusão de novos elementos, em sua maioria de origem céltica. Os maiores representantes públicos atuais da Al-Gard são Janet e Stewart Farrar, da Irlanda.

Nos EUA, o primeiro bruxo a se manifestar publicamente foi o anglo-gitano Raymond Buckland, iniciado por Gardner e Lady Olwen. Considerado pelo próprio Gardner um de seus herdeiros, Buckland migrou para os Estados Unidos logo após a morte do bruxo. Lá, ganhou notoriedade por seus livros sobre Ocultismo e por ser o fundador da Tradição Saxônica da Bruxaria, a Seax-Wica. Nos Estados Unidos, com raras exceções, a Arte ganhou um novo aspecto, inexistente na Bruxaria Européia: o aspecto político.

A Bruxaria uniu-se ao feminismo para gerar uma nova forma da Religião. Surgiram então Covens denominados “Diânicos”, formados só por bruxas. Algumas das representantes da Bruxaria feminista americana são Starwahk, Zsuzsana Budapest e Laurie Cabot. Com exceção da primeira, nenhuma delas é levada muito a sério pelos bruxos tradicionalistas europeus, que julgam-nas produtoras de distorções no verdadeiro espírito .

Extraído: © 1993, Daniel Pellizzari



A WICCA HOJE

A Wicca de hoje é diferente da proposta por Gerald Gardner... surgiram com o tempo muitas tradições diferentes, com formas rituais e filosóficas diferenciadas, claro que sempre mantendo uma base que diferencie as outras práticas pagãs da Wicca. Antigamente era mais restrita, praticada em segredo, e com as feministas na década de 60 que ela começou a se expandir, mostrando assim que as bruxas realmente estavam vivas... o povo da Deusa havia sobrevivido a inquisição. Hoje em dia o acesso as informações de Wicca é muito mais fácil, você encontra em bancas de jornal, livrarias, internet; porém é claro que muitas dessas informações são deturpadas, fazendo com que a Wicca de hoje seja vista por muitos como uma piada.

É crescente o número de jovens que ingressam na Wicca, alguns por motivos banais, outros porque encontram na Wicca as respostas pelas questões, e também viver em uma sociedade onde são aceitos, pois a Wicca respeita a diversidade, ao contrário das religiões patriarcais adotados pela sociedade na qual vivemos. A Deusa ama a diversidade.

Wicca hoje em dia é uma religião que abrange diversas formas de se trabalhar o sagrado feminino... diversas formas de crenças, pois não contém um dogma além do único Dogma da Arte: "faça o que desejar se mal nenhum causar". E trás consigo o respeito pela diversidade.

Segundo o dicionário "Tradição : é um método específico de ação, atitude ou ensinamento que são passados de geração para geração". Na Wicca a palavra Tradição tem um significado diferente: uma Tradição é um conjunto específico de rituais, ética, instrumentos, liturgia e crenças, resumindo uma Tradição é um subgrupo específico dentro da Wicca.

Hoje muitas pessoas estão confundindo o que é uma Tradição da Bruxaria, muitos afirmam que a Wicca é uma Tradição o que não é verdade! A Wicca não é uma "Tradição" mas sim uma Religião que possui diversas Tradições.

Cada Tradição tem sua própria estrutura, rituais, liturgias, mitos próprios que são passados de praticante para participante. Mas todas elas seguem o mesmo princípio filosófico:

1. A celebração da Deusa e do Deus através de rituais sazonais ligados à Lua e ao Sol, os Sabaths e os Esbaths.
O respeito à terra que é encarada como uma manifestação da própria Deusa.

2. A Magia é vista como uma parte natural da Religião e é utilizada com propósitos construtivos, nunca destrutivos.

3. O proselitismo é tido como inadmissível.

A filosofia, os ritos, as concepções são muito diversas e radicalmente diferentes de uma Tradição para outra, com freqüência isso ocorre dentro de duas dissidências da mesma Tradição. Às vezes uma Tradição pode não reconhecer um iniciado em outra Tradição e por isso é muito comum ouvirmos relatos de Bruxos que se iniciaram em duas, três ou quatro Tradições distintas. Outras Tradições porém são mais flexíveis e acolhem Bruxos de outras Tradições em seu segmento.

Cada Tradição tem seu próprio Livro das Sombras, contendo seus Ritos Sagrados e idéias sobre a Divindade e é muito comum uma Tradição afirmar que o seu Livro é o único descendente do primeiro Livro das Sombras redigido. Outro ponto de divergência entre as Tradições relaciona-se à hierarquia. Algumas são extremamente hierárquicas, enquanto em outras a hierarquia é inadmissível e tida como tabu.

Algumas Tradições aceitam e incentivam seus membros à praticarem a Bruxaria sozinhos, enquanto em outras é terminantemente proibido à prática mágica de qualquer tipo fora do Coven e sem a supervisão do Sacerdote ou Sacerdotisa. Isto ocorre porque na Wicca não existe nenhum dogma ou liturgia fixa e na maioria das vezes o único ponto em comum que une as inúmeras Tradições é a crença na Deusa criadora de tudo e de todos e a supremacia dela em seus cultos.

Talvez seja esta ausência de coesão que tenha conseguido fazer com que a Bruxaria sobrevivesse através dos séculos, depois de tantos massacres, cruzadas e propagandas enganosas. E talvez seja esta mesma falta de coesão que faça tantas pessoas se voltarem às práticas Pagãs, pois a Bruxaria é uma Religião adequada aqueles que sentem que sua forma de contactar o Divino é demasiadamente individual para se adaptar as imposições e dogmas estabelecidos pela maioria das Religiões.